Miasmas
Por quê, miasmas?
Leveis minha cabeça se desejas
Já não a tenho.
Resta uma alma
À espera de outra.
Ouço um tango francês
Não choro porque feliz
Ela não disse estar
Que está ocultamente em suas pistas
Miasmas, deixeis o corpo
Ela precisa de mim.
Sou seu mar aberto, sua jangada
Mas meu corpo disfarça
Não sou nem esse moribundo feliz
Do cartaz na cidade mazelenta
Ou as estrelas frias no verão do mundo
Gelo da alma, primavera fica pro futuro
Miasmas, conseguistes tudo
Deixastes um lembrete de despedida
Dizendo, levo a cabeça e o corpo
E tua alma volto pra buscar mais tarde
Ingratidão tamanha,
Falseares a certidão da tristeza
Levastes o sopro, a pousada manhã,
O choro fino e me permitires o desespero
Infeliz, mil vezes
Miasmas, que me levastes tudo
E ainda cobiçais minha alma
Ganhastes um mundo de desconfianças
Mas não roubastes nem um pouco de minhas esperanças...

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