Longe, ausente, distante
Longe, ausente, distante
No casebre do tempo
Com os olhos vendados
Sem pensamento, soltando bolhas pelo ar
Na esquina um pedinte
Na janela do vizinho a luz
Do outro lado o vento
Contornando a irregularidade do ar
Nas escadas o silêncio
O portão não faz barulho
Tão logo terá fugido
Para não mais voltar
Longe, ausente, distante
Conhecendo o diferente
Começando do passado
Que julgava ser parente
E, de repente, ressonam as sirenes
Fugitivo do medo acaba de escapar
Fechem as alfândegas
Soltem os cães de vigilância
Sentinelas de prontidão
Centro de informações ativado
Iniciem a busca
Investiguem as nuanças
Longe, ausente, distante
O mundo a procurar
Na noite se camufla
Mas não demora o amanhecer
Entrou na barca do esquecimento
E foi velejar no sonho
Escondido em todo canto
Que se pode conhecer
A inerte estátua
Que todos achavam perceber
Piscou num átimo
Foi fácil de saber
Longe, ausente, distante
Pêgo de surpresa
Por câmeras de tevê
Fuzilado pelo olhar
Foi-se com a dor
Acabou no pranto
Morreu o espírito aventureiro
Antes do dia começar
Bom viver alguns instantes
Livre de vocês
Mas com o estranho parente
Um dia vai acabar...

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