O que não se sabe bem o que é
De repente vem
Vem de repente, chega sem avisar
Não dá tempo de pensar
Logo invade tudo
Do pensamento ao coração
Da lembrança à esperança
Da vontade à saudade
Não dá chance para ser razoável
Juntar as peças e excluir tal idéia
É tão irrisório como o fósforo
Que incendeia toda a floresta
Por horas, senão dias
É finito quanto uma bactéria
Mas se reproduz com a mesma vertiginosa velocidade
Arrasta blocos e fere anticorpos
Abre um espaço no peito
Onde penetra o vazio
Surge do acaso, chama de uma palavra
Ou de uma inconsciência qualquer
Começa do estopim e explode por horas
De repente vem
Vem de repente
Por um segundo, não importa se mais ou menos
Ela pensou em outro alguém...

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