quarta-feira, março 15, 2006

Entre paragens...

Eu não fui cavar no tempo o brilho esquecido
Cortejar flores que se embrunham ao luar
Não despejei meus olhar convicto
Em paisagem pobre de semear

Foi pelo eterno, em nome do impalpável
Que toquei o peito com suas feridas
Em nome do ardor inconsolável
Para reavivar o perecido em outras vidas

Não me ocultei, não me revelei
Mostrei meu amor como identidade
Se falhei quando sorri, nada reverenciei
Mas chorei por nada ao dizer a verdade

Só não me orgulho de ter deixado
Para o início da vigília o vôo profundo
Tapei buracos no vento desbotado
Não era o tempo do etéreo em meu mundo

Sonhei com os olhos cerrados,
Raciocinei com os olhos pro alto,
Fitando o incerto com sorrisos acabrunhados
Volvendo ao início, refazendo-me num salto

Tantas paragens receberam minha paz
Quando sustentei angústia, sem deixar fugir
Esperança no murmúrio que deixei escapar
Soube, então, como se aprende a não mentir

E agora, que nem o derradeiro momento se cogita
Permeio o pensamento de seara, a serenar
Querendo amar pelo eterno, em nome do que se precipita
Podendo dizer acabou o medo, é tempo de remediar...

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Eu te amo tanto... tanto!

Linda poesia, meu amor.

E verdadeira...

Estava com saudades de ler suas poesias...

Que bom que voltou (em todos os sentidos!).

Beijo meu Mar...

K'

16/3/06 12:19  

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