Águas plácidas
Uma chuva fina de milagres
Acontece no pátio, você pensa
Se cai do alto, se vem de baixo
Se molha, limpando o passado
O vento suspirou, foi um aviso
Você viu as últimas estrelas se despedirem
Nem sempre as nuvens predizem tempestade
Conforme a hora, chove na cidade
Chove em algum lugar, chove em você
Seus olhos secos
Imóveis e distraídos,
Ao invés de evocarem lágrimas
Atraem nuvens, mudam o céu
As cores e odores do mundo
Quando chorava, um pesado lago se formava
Quando me olhava, um pesado fardo me calava
Quando se humilhava, um triste saldo se vencia
Quando me vencia, um ciclo vasto se revertia
E um rio estreito de pranto
Cortava os meus pés imundos
Suas águas se recolhiam na noite
E de manhã recomeçava o rito
Trovejou uma única vez
Bem longe, só restou o barulho
Serena-se o teto, passou o céu turvo
As estrelas são, agora, as únicas verdades
Que os seus olhos iluminados irradiam...

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