segunda-feira, novembro 28, 2005

Céu

Você espera
A angústia é um rápido movimento
E o amor, no balanço da esfera
Oscila do sul a onde ficou guardado
O beijo do último momento

Eu a vejo
Assim, parada na cadeira de balanço
De um pensamento qualquer
Olhando o céu mudando
Com as cores da idéia última

E infinita,
Ou talvez finita e indefinida
Da nossa estrada sem mão
Onde moldou a lágrima viva
E chorou alguns litros no chão

O tempo passa
A brisa dessa hora não parece ir
E eu estou no lugar do ar
Que você na vida pôde substituir
Pela esfera que balança esse mar...

Por amar

Por amar
Entende-se o complexo mundo
Das diretrizes imperfeitas
De um coração sem lugar

Um pouco de vida
No império das estrelas
Um planeta sem pilha
Desprendido da rota
Perdido no espaço a milhas

De qualquer ciência
Mais alto do que pode imaginar
Qualquer inconsciência
Em hipnose, em dose, em overdose
Nem a mais forte paciência
Ousa superar
Estas longuíssimas reticências
............

Por amar
Não se entende a complexa impulsão
Das ingovernáveis atitudes perfeitas
De um coração em seu lar

Um tanto de riso
Num pensamento de pedra
Em um coração arisco
Num mundo de inverdades
No tempo de tiranos líricos

Em seus tronos adornados
De orgulho nobre
Em seus tapetes melhorados
De inúteis possessões devolutas
À sombra do monumental cajado
Arquitetado da ciência estérea
De um solitário império estrelado.

...

Por amar
Contorce-se a palavra cega
E emudece-se o silêncio da rima
Nesta última reticência tímida...

Todas as perguntas

Pergunte para quem sabe
Destas pequenezas do tempo
Essas burrices de comportamento
Falhas de um segundo que nada vale

Pergunte à voz das arestas
Ao conjunto de intenções em vôo
Aos espelhos tentando refletir o sopro
À chama que reergue a vela

Pergunte ao muro de Berlim
Sobre o que é viver entre mundos opostos
E aos átomos sobre os pólos
Se a vida é desencontro até o fim

Pergunte aos olhos do amado, enfim
A razão de a vontade ser irracional
Enquanto a ação é sempre condicional
E você ouvirá de todas as perguntas as respostas de mim...

quinta-feira, novembro 24, 2005

Ao tempo

Quando você sorrir
Verdade que não foi dita
O universo parava
O tempo ficou perdido
Até da minha dor esqueceria
E a alegria despontara
No instante em que o peito sentirá
O choro que passasse
A confusão que indo
E a beleza que fugiria
Quando temia que não me amará
Quando pensei que um dia me desejou nunca
Sem saber nem imaginara
Que apenas o seu sorrir me transportando
Para o tempo presente

Sem ligar

A gente vive
Pra zelar por um coração que vive triste
E pra dizer alguma vez na vida
Que foi feliz um dia

A gente chora por chorar
Sofre sem ligar
Pois o amor é crer para ver
É assim, bonito de doer

É lágrima que não tem porquê
E mesmo assim a gente chora ignorante
Sem ter o que escolher

É vazio que queima a mão infantil, pra valer
Curiosa em conhecer a mesma dor dilacerante
Na esperança de um dia não doer