sexta-feira, dezembro 16, 2005

Tudo

É inevitável sentir
Como um raio atraido pelo chão
Inevitável estrago o fogo na árvore
O meu amor por ela

Ainda que eu fosse mais forte
E a minha teimosia infinita
Graduaria infinitos, e
Entre um e outro
O infinito amor venceria
Com folga

Se o oposto houvesse
Como Yin e Yang
E o amor, análogo ao fogo
Equibrasse-se com a água
Mesmo assim
Esta água estaria enterrada em mim
Na rocha de um coração que só quer amar

É irresistível desejar
Como o cego que nunca viu
Irresistível vontade de conhecer a luz
Ela em meus braços

Ainda que eu desejasse
O mundo em segundo plano
E o me fosse dado, com sobras
Até o fim da vida
Em grande mordomia

Faltaria tudo
Esse tudo que, mesmo o querendo
Não se faz egoísta, ainda
Pois a quero indivisível em mim
Para que seja, então, inevitável sentir
O prazer de estar com ela...

quarta-feira, dezembro 14, 2005

Adjetivo

Falar de você é mais do que errar
É precisar ser sincero em cada letra dita
É também reconhecer que sou incapaz
De reduzir a tão pouco uma coisa que é infinita

É como escolher a melhor virtude de um ser divino
Traz a sensação de ser injusto
Há sempre mais que fica em espírito
E as palavras materiais tornam um mundo de qualidades mudo

A linguagem do meu coração é prática
Embora clara, apenas induz-me ao querer
E a consciência finita não é rápida
Suficientemente para os sentimentos conseguir ler

A imprecisão do meu amor não o descaracteriza
Em essência, o amor não é poesia que sentimos
Mas sentimento que na poesia se realiza
E em tanto nos calamos diante do que vimos

Ao meu amor, importa saber e ser sabido
Por quem adora seja dito que se tem imenso
Palavras cegas, vocabulário inibido
Na expressão que inova ao meu intento

Basta você ser para que seja entendido
O seu amor e o seu plural adjetivo que não acaba
E a poesia que faço no espaço restrito
Condensa o universo do que não se fala....

segunda-feira, dezembro 05, 2005

Para sempre agora

Ela olhou
Num segundo sem tempo
E fitou resignada o que passou

Um sorriso brotou dos lábios secos
Foi tímido
Quis disfarçar a alegria trovejante
Fingiu estar serena

Agora pensa em escrever um papel
Dizer ao amado mil palavras derivadas de amor
Escancarar na superfície o que prendeu
Nos gestos abstratos que ninguém percebeu

Ah, se o tempo soubesse
O que é não ter tempo para a vida
Ela sonha com a eternidade do sonho que já vive
Não entende o mistério da existência
Se há pouco sofria
E agora, a esse há pouco não há quando

Ela fechou os olhos
Dormiu na inconsciência das palavras fugidas
Escondidas no silêncio do sentimento infinito
Essa solidão que no fundo é o amor
Como se num segundo sem tempo, o agora fosse nunca
E para sempre o seu agora...