Último reino
Aos navegantes de primeira viagem
Ensina o mar
Em suas primeiras ondas à margem
Como se equilibrar no ar...
Girou o primeiro errante
Afogou-se logo na profundidade
De um céu escuro e berrante
Cego pela claridade
Pois, acredite, nem todos nasceram para sonhar
Eu conheci uma rainha,
Filha de Poseidón, filha do mar
Reclamando que o amor nunca vinha
Enclausurada em lembranças
Em seu castelo de areia solitário
Mandou o vento sondar as estâncias
Em busca do sentimento lendário
Falou-me o preposto sobre tais anseios
Então lhe pedi: amigo, vá ventar
A mais bela das mulheres quer esteio
Esperando o que não quer começar
A noite cala as ondas e faz chover estrelas
E a lua derrama sua luz sobre a escuridão
Como o fogo no breu, vela e cera
Nem no escuro se está perdido na imensidão
Disse-me ele: sábias palavras, viajante
Pois, onipresente sou por toda banda
Não obstante, desconheço o ébrio amante
Que inexiste em oceanos, onde a majestade clama
Mas dou-lhe o maior dos segredos: o meu universo é restrito
Possessões mais importantes existem em algum lugar
Onde reina a filha do sol, a flor do infinito
Num imenso ninho de amor, que se estende pelo chão do mar...
