quarta-feira, outubro 26, 2005

A nona hora de ir

Está tudo bem agora
Não precisa temer o seu temido mundo de ilusões
Fica em paz
Contudo,
Antes que o relógio soe a nona hora
Prepara-se para desposar-se do receio
Monta em seu cavalo alado e, com ele,
Vá em busca da felicidade prometida

Deixa aquele projeto de vida perfeita inacabado
No baú de seus devaneios impossíveis
E escolhe as cartas certas para o jogo da vida
Sendo cauteloso com o adversário tempo a evoluir no jogo
Com o adversário dúvida que quer trapacear
E o adversário medo a um passo da vitória

Pega as suas coisas e enrola numa trouxa amarrada num pau de vassoura
E não leve mais do que o essencial para viver cem anos felizes
Deixa como herança póstuma aos desapadrinhados de seu vigoroso bem-desejar
Os sorrisos e alegrias que ofereceu gratuitamente a quem merecia
Desprendendo sua energia no bem de outras vidas
E se dá uma chance de viver o sonho que quase perecia
Pois a nona será a hora de você oferecer a sua alegria à própria vida

segunda-feira, outubro 24, 2005

Na constelação que lhe dei

Meu amor,
As palavras estão tranqüilas
E os mares brandos
Quando os corações estão em erupção

Com você me acalmaria
Sem você estou à beira do cais
Reclamando ao vento o seu regresso

Ventania afundou o barco da saudade
E na constelação que lhe dei
O caminho ainda é certo, pois brilha

Em cada noite escura
As trevas que nos ofende
Dá mais luz à esperança de um dia

De mil dias, de mil anos
Amando vou levando
Essa vontade de só amar

Não estou esperando
Você apontar numa caravela
No horizonte próximo

Há pensamentos que me distanciam da dor
Há lembranças que me transportam a você
Há esperanças que edificam a vida

Ao seu lado, ainda desenhada
Somente nas estrelas que lhe dei
Mas, quando regressar

Essas estrelas que guarda
Desmoronarão junto com o céu
Que firmará na terra o nosso paraíso

Onde os diáconos fugirão assustados
Com um amor que não é desse mundo
Com o nosso puro e etéreo amor divino...

No lugar das flores

Eu queria que as flores que você vê em tudo
Lembrassem, de alguma forma, a mim
Se eu não lhe posso dá-las pessoalmente
Pudera eu ao menos ser o motivo de seu sorriso
E a causa do perfume a alegrar suas narinas

Em um dia,
A sua felicidade poderia não murchar
Assim, antes de deitar os olhos no silêncio
Pensaria em mim e veria flores no quarto
Pousando sua cabeça num travesseiro de pétalas

E toda vez que se entristecesse
Alguém apareceria para oferecer-lhe um girassol
Que esse alguém tivesse o meu nome
Olhando em seus olhos, veria os meus olhos
Se agradecesse-o com um sorriso de paz

Então lembraria da minha voz
No som inaudível da natureza
A encantar-lhe os ouvidos
A esmerar a poesia de sua beleza
A convidar-lhe a bailar no pensamento

Queria vê-la contando as pétalas
De um bem-me-quer, mal-me-quer que me-quer-bem
E ao fim da brincadeira, desenhar-se em seu olhar a minha figura
Que nesta hora, as flores revoassem e os jardins retumbassem ao chão
E eu tomaria o lugar das flores, para fazê-la feliz...