sábado, julho 08, 2006

O ser que eu não sou

Desconfio que muito tempo passou
Passaram os ventos, os versos...
E eu, fiquei esperando o mundo.
Cansei.

Também mudei.
E hoje quase não localizo
O ser que fui, hoje não sei quem sou:
Portanto, sem presente e sem passado.

Olhando as fotos
Eu pareço algo que não fui
Alguém que me recordo, talvez um amigo
Do ensino médio, que mudou de cidade.

Também mudaram as cores do papel
Estão amarelando cada vez mais
Um dia, não vai dar mais para ler
Mas fica sempre um pedaço jogado em algum lugar...

Só não mudou o olhar.
A mesma tristeza de não sei o quê
O mesmo sorriso cismado.
Um olhar e um sorriso: este sou eu...

Quem sabe o teu olhar...

Quem sabe o nada anda perquirindo os teus olhares?
Fitas o vazio, quando eu sinto
Alguma coisa preencher tua alma

Sugaste o mundo ao redor
A luz do sol perdeu o brilho
A água já não vaporiza
E o teu olhar, translúcido como nunca,
Ainda fita o vazio

Eu queria olhar um ponto escuro e ver tudo
Eu queria ser como és
Eu queria florir assim os meus desertos
Tudo isso sem nada ver

Mas, quando fecho os olhos
Eu posso ver tudo, sem registrar nada
Todas as minhas dores são imagens
Tão grandes, tão difíceis...

Quem sabe o silêncio investiga os meus olhares?
E eu fujo dele nas letras de uma poesia?
Quem sabe o teu olhar...